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Sexualidade Feminina nas Mídias Digitais (videogames)

30 mar

Jessica Albert - Dragon Quest 8

Finalmente meu primeiro post, depois de inúmeros da Mexy. Resolvi tomar vergonha na cara e escrever sobre um assunto que já havíamos conversado em grupo,  juntamente com AquelaDeborah e agora idealizado como um post.

Sei que algum@s podem se perguntar “O que um homem tá postando num blog repleto de posts feministas?” Digo apenas que a idéia deste blog é partir de uma união pró-feminista, contribuindo com assuntos que vivencio e reflito constantemente com diversos amig@s envolvidos no movimento feminista.  Não abordarei muitos posts com essas questões, pois quero deixá-las exclusivas a Mexy. Pretendo contribuir com outros assuntos ainda.

Muitos de nós, algum dia, já tivemos a experiência de jogar videogames, sejam eles em qualquer tipo de plataforma possível, Pcs, consoles, portáteis, webgames e etc. Tudo bem, mas qual o problema nesses jogos?  Nota-se  que o mercado de games vem apelado constantemente na imagem feminina, com dezenas de heroínas bravas, grandes, peitudas, loiras, brancas, enfim…poderosas! Mas poderosas em que sentido? Seja nas fantasiosas aventuras de um RPG (como Jessica em Dragon Quest 8 ) ou como em jogos de luta (Dead or Alive, Mortal Kombat, Streetfighter etc), não é preciso exemplificar muitos games, pois basta vasculhar um pouco por sites especializados, que logo achará uma representação feminina semi-nua no título de alguma capa.

Para que não bastasse supor, dei uma breve busca em alguns foruns de jogos específicos e achei um no qual discutiam em cima de uma matéria vinculada ao Jornal Zero Hora, do Rio Grande do Sul, na folha informática. O título era: “Games estimulam a sexualidade feminina”, não consegui achar a fonte original da matéria no site deles, mas me vali do relato do indivíduo que a postou no forum e logo mais começaram a “vomitação” de argumentos sobre  o papel e imagem da figura feminina no mundos dos games :

“a maior parte das mulheres que jogam videogame(generalizando) costuma jogar com namorado, e consequentemente a mulher que tem namorado transa mais do que as que nao tem”

“Estatísticas não são bases confiaveis, principalmente para relações causa-efeito. Ponto final.
Ou vc vai convidar a “Giovannella”, só pq ela é mó gostosona naquele jogaço de RPG irado, ela topa, mas só se for no Motel; qd vc vê na real, aquela porca obesa que nem a barba faz…
Eu já encontrei várias num único encontro de RPG. Algumas se salvam – as comprometidas, óbvio – outras, bem…só nascendo de novo.”

“Bom, na época que eu tinha lan aparecia umas perdidas gostosinhas pra jogar CS de vez em quando, bem de vez em quando mesmo.
Infelizmente a mulherada boa mesmo é tudo cabeça de amendoim e gosta mesmo é de Orkut, faz 3000 abdominais por dia e coloca foto do seu “tankinho” (puta coisa de PUTO) lá pra ver c não aparece umas 30 pelo menos te adicionando … No mais, mulheres gostosas estão nas baladas, enchendo a cara de pinga que é o que elas mais gostam, pinga + putaria.”

“Já escutei historia de admin de server de tibia comendo mina em troca de item, como dissem:
Depois das maria gasolina hoje já temos as maria item hehaheahhehaehaehaehaehaehae”


X-man Atari

Isso tudo em apenas uma busca random e achado no fórum do jogo de fps Battlefield!!   Alguns devem imaginar que esse tipo de assunto é recente, mas me lembro de alguns anos atrás (2000) quando jogava Ragnarok, MU online, Tibia,  além de jogos convencionais de plataformas, comprava revistas e assistia programas relacionados a jogos, como o Cybernet da Multishow, que apresentavam constantemente o surgimentos de novos jogos  cada vez mais explícitos na vinculação da imagem da mulher como um objeto sexual de decoração e exploração. Esses vínculos permanecem há muito tempo e cada vez de forma cada vez mais imperativa, conforme o realismo cresce nas novas gerações de games. Percebe-se essa evolução desdo simplório Atari, que diga-se de passagem, possuia games sexuais heteronormativos como X-man ou em Battletoads com a vilã “sodomizada” Dark Queen.

Dark Queen - Battletoads

O que não desce é o fato de como empresas utilizam brutalmente a imagem da mulher, mesmo sendo virtual, na representação de ícones sexuais, com argumentos de “valorização do corpo feminino” ou “poder feminino”, reafirmando ainda mais a idéia de que mulher seja apenas peito-e-bunda em uma história ficcional interativa.  Tais estúdios e empresas, como agentes na formação social, compactuam com cenas que envolvem a relação da sexualidade feminina com o mundo, impondo valores que vão desde objetificação ao corpo da mulher, até assassinatos, estupros, prostituição, humilhação e etc (GTA é um exemplo), tudo isso garantidos e segurados com selos de maioridade regidos pela  ESRB.org . Essa formação a qual os games nos transpassam, nos acompanham desde a infância, reafirmando constantemente a imagem da mulher virtual no mundo dos games ao mundo real em que vivemos.

Quantos homens, rapazes, garotos, não resguardam musas de suas aventuras em games  e as idealizam para o mundo real? Valorizando apenas mulheres que partam de seus referenciais dos games, assim como fazem em revistas pornográficas, programas de tv, comerciais de cerveja e etc.  Lembro de algumas personagens como Tomb Raider (e o ridiculo cheat para ver seus peitos pixelados), Streetfighter (e o truque do pause para ver a calcinha),  Resident Evil (a estátua de Jill que tem uma vagina), Dead or Alive (garotas de peitos e bundas enormes em trajes minusculos), Bayonetta (e sua terrível apelação com peitos enormes, decotes, armas, saltos, poses e claro muita violência no estilo God of War), e poderia citar mais inúmeros jogos, partindo da década de 70 até os dias atuais, como referências para grandes contribuintes nesse hostil mundo dos games, dominado praticamente pelo machismo patriarcal.  Porque há tanta hostilidade contra mulheres nos games? Tanto personagens como jogadoras são marcadas como um simples selo de “garantia de uma boa foda”, “gostosas que jogam Wii  com bambolê”, “musas do game nuas em controles nos peitos”. A imagem da mulher nesse mundinho pixelado é apenas vista como objeto sexual, nada mais além disso ou incrementado de muitos tiros, fogo, monstros, sangue e é claro NÃO PODE PERDER A MAQUIAGEM OU CAIR DO SALTO, mas vale mostrar um peitinho de close.

Dead or Alive

Mas ainda assim a pergunta permanece: qual é o problema com o uso da sexualidade feminina como uma arma ou habilidade? Esta mecânica é apenas parte de um quadro maior. Um exemplo clássico disso no mundo gamístico, e que contribui para a idéia do apelo sexual da mulher para a obtenção de bens,  é o uso de  “truques” para garantir algo do seu parceiro ou inimigo dentro de um game (aquelas famosas cenas de Charming que distraem o inimigo para garantir algo). São inúmeras as ocasiões em que as mulheres ganham poder ou posses simplesmente através de sua capacidade de atração e não através de seu trabalho duro.  Ayla, no game Chronno Trigger,  é uma lutadora forte com habilidades que envolvem chutar e agarrar os inimigos, exceto por sua capacidade sexual um: Charme. Ayla’s Charm seduces an enemy to obtain an item, segundo a descrição.  Por outro lado, em qualquer game, um personagem masculino usaria apenas a habilidade Steal ou Intimidate para conseguir o que deseja, ou seja, demonstrando sua virilidade e masculinidade para afrontar seja o Dragão mais alto de 8 cabeças que for.  Já uma mulher, só é “capaz” de seduzir e atrair pela sua sexualidade.

Mas desse jeito parece que os games terão que passar por uma comissão evangelizadora e assim estampar saias até a canela nas personagens dos jogos, vai ficar um lixo ein?NOT Arnaldo! , não se trata disso, mas sim do por que há a necessidade de demonstrar litros de silicone em peitos descomunais? Fragilizar o feminino ao resgate da romântica princessa indefesa? Da prostituta serva do Deus da Guerra poderoso e viril?…

E não para por aí, na tentativa de  “igualar” as diferenças, a representação marginalizada de mulheres gordas, “feias”, modificadas e etc, sempre parte de um estereótipo caricato ou exótico.  Em quantos títulos vemos a

God of War e o "Sexy Game"

representaçãode uma uma mulher gorda, desengonçada, feitiçeira “mal comida”, uma modificada anti-social ? Cremos que mulheres gostariam de ser representadas como elas realmente são, livres dos estigmas cravados na sociedade como “mulheres ideais”, da marquinha do bikini ao cabelo alisahair.

Por que não criar um entreterimento livre de preconceitos? Já basta os que passamos no mundo real em que vivemos, o mundo virtual se torna palco de ínumeros atos que julgam como “ingênuos” mas que valem de uma real idéia formada e reforçada com os conceitos vigentes de um machismo heteronormativo cruel e incisivo.

Chega da punhetação viril de ícones do macho ideal, Deuses da Guerra, Demônios, Campeões de fantasias falocráticas no qual idealizam apenas o pênis (Espada) como única salvação do universo.

Tá na hora de usar mais a criatividade e parar com o joguinho do “quem é mais macho”.

Segue alguns dos títulos no qual reforçam a idéia da sexualidade feminina como objeto de sensualidade e desejo.

God of War – Sexy Game (absurdamente não entendo a cena, chega um kra doidão destruindo tudo e as mulheres apenas nuas soltam um admirado “hmmmmmm” q poha é essa?)

Silent Hill 2 – Pyramid Head (esse é complicado, um homem masculo, ícone dos garotos de como “ser maligno destruidor de humanos” …esqueceram de mencionar o “incentivador ao estupro” também)

Dead of Alive Paradise (esse nem precisa dizer nada, apenas veja)

Bayonetta ( de freira ela vira “devassa” com saltos, maquiagem e diversos closes em bundas e peitos. dicotomia feminina de freira ou puta SEMPRE)

Top 10 Hottest Girl in Gaming (nem a apresentadora escapa aos padrões da beleza)