Reconsiderações Acerca da Slutwalk.

16 maio

Yep. Aquilo é um "cafetão" na Slutwalk.

Comecei uma discussão no post anterior, e procurei ouvir ao máximo todas as opiniões que chegaram até a mim pelos comentários, ou pelo meu Facebook. Nesse meio tempo, alguns posts de mulheres mais informadas sobre o movimento apareceram, bem como de outras mulheres que como eu, não sabiam exatamente o que pensar.
Estes dois que eu linkei ali em cima me ajudaram a, decididamente, repudiar a chamada Caminhada das Vagabundas. Convido a todxs que se aventuram um pouco pela língua inglesa e querem entender mais sobre o assunto ler os dois na íntegra.

As autoras tiveram conclusões que eu não seria capaz de reconsiderar, portanto, traduzo algum dos pontos principais.

Meghan Murphy no – tapa na cara –We’re Sluts, Not Feminists. Wherein my relationship with Slutwalk gets rocky. (Nós somos Putas, Não Feministas. Onde a minha relação com a Slutwalk fica difícil) sintetiza:

“Essa noção de re-apropriar o termo “vagabunda” sugere que as mulheres, possivelmente em algum tempo mais feliz, utilizassem o termo de forma apropriada para seu próprio benefício. Mas é sabido que nunca existiu uma cultura em que a solidariedade das mulheres nos obrigou a nos definir pelo o número de homens que tivemos ou quão proximamente estivéssemos quanto as condutas de vestimenta pornográficas. Quando você está protestando contra a sua própria opressão como um membro da classe do sexo, é problemático e de eficácia revolucionária questionável estampar você e seus companheiros de luta com a marca do opressor.

Figura que representa a página em construção da Femen. Uma mulher magra, loira, ideal, com seios fartos e empinados...

Vi muitos homens apoiando a Slutwalk. A maioria, porque sabia que mulheres estariam com pouca roupa. Mulheres bonitas, eles esperavam. As gordas e peludas que ficassem em casa. Afinal, mulher feia que é estuprada deveria é agradecer, não é Sr. Rafinha Bastos?
As mulheres apoiavam a Caminhada porque acreditam em algo que todas nós compartilhamos: mulher nenhuma é estuprável. Não importa o que vista, que horas sejam, ou quão bêbada esteja. Isso, não tenham dúvidas, não é alvo de críticas por nenhuma das mulheres que se opõem ao Slutwalk.
O debate aqui é sobre o viés que foi usado. O viés foi parecido com o do grupo ucranino Femen: mulheres com pouca roupa e corpos ideais chamando atenção para tal causa.
(A comparação entre a Slutwalk e o Femen foi feito pela Lola, aqui)
No Femen, assim como na Slutwalk, ganham destaque as mais bonitas. A mídia explora as curvas e a exposição, e blogs masculinos aprovam. Reforçam em coro que esse deveria ser o único tipo de protesto feminista existente. Não acredita em mim? Procure a opinião daquele (que eu não vou linkar aqui) que é um dos maiores sites do gênero, cujo nome remete ao idolatrado hormônio macho.
E aí temos dois grandes problemas.
O primeiro, é o já citado aqui: Mulheres prostituídas se sentem profundamente ofendidas ao verem pessoas privilegiadas tomando um termo tão ofensivo para si, sem nunca terem vivenciado a silenciadora opressão das reais escravas do comércio sexual. Estimular o estereotipo de “puta” nada trás de revolucionador, especialmente quando você brinca de fazê-lo por uma tarde, cercada de segurança policial (aquela mesma segurança que acusou vocês de serem as responsáveis pelos casos de violência).

Segundo: o que se muda de fato? O que temos é uma horda de machos punhetando as imagens de mulheres que se consideram libertárias sexuais, e um grupo de mulheres que consideram o estereótipo do burlesco, do prostituído, do pornográfico, algo revolucionário.

Mulheres adoram pornô etcZZzzZzzzZZZz.


Nas palavras de Meghan:

Por que, exatamente, o feminismo tem de ser ‘sexy’ para ser apoiado? Bem, a resposta, é óbvia. É para que seja palatável aos homens e às pessoas que não fazem muita questão de desafiar a ideologia dominante ou olhar para as raízes do patriarcado. Então isso [se vestir e entitular-se assim] não causa qualquer incômodo. E agora, um espaço foi criado, onde não só é aceitável, mas encorajado que os homens chamem as mulheres de putas (!);”

Meghan investiga e explicita de fato as intenções da organização do evento, e afirma:

“Assim como Suicide Girls e pessoas do movimento neo-burlesco argumentam, a Slutwalk parece encorajar a perspectiva de que a objetivação é ‘ok’, enquanto nós estivermos objetificando as mulheres que se desviam da norma perpetuada pela mídia (ou seja, loiras, magras, brancas, convencionalmente atraentes). Fazendo lutas feministas palatáveis para homens ou mulheres antifeministas.
Esses comentários tendem a ser recebidos com louvor (porque se você está se sentindo atraído por garotas “gordinhas” é revolucionário! Que homem pensante você é!) e apoiados por argumentos como “se você está objetificando a si mesma então está permitido”.

Centenas de machos de apinham nos murais das Slutwalks para darem seu apoio. Eles AMAM as "Putas"!

O que causa aquela boa dicotomia feminista, entre feministas agradáveis e desagradáveis.
Ou seja, se você se depila, é cheirosinha, usa roupas sensuais e considera o comércio sexual empoderador, você é querida.
Se não reproduz esse tipo de comportamento, é radical, feminazi e repulsiva.
O problema não é que as mulheres façam qualquer dessas coisas, mas sim que sequer questionem os reais motivos por trás disso, ou quais mudanças possam ser de fato atingidas através desse tipo de mobilização.

Para Rebecca Mott: “Slut é um termo masculino de profundo desprezo e ódio por todas as mulheres e meninas -, para a Puta Verdadeira [aquela realmente inserida no comércio sexual], os homens estão dizendo que ela não é nada senão uma coisa que ele vai foder no lixo.

Como é possível querer redefinir/tomar posse disso [dessa palavra]?”

Por que é tão fácil apoiar falsas putas (mulheres privilegiadas em roupas sensuais de acordo com o desejo do patriarcado objetificador) mas tão difícil apoiar a causa feminista quando fora dos padrões desejáveis, mesmo que lutem pelas mesmas coisas?
Para considerações mais profundas, recomendo muito que leiam os posts de Rebecca e Meghan. Se for de interesse de alguém, posso tentar traduzí-los eventualmente.

Fato é que a Slutwalk vai ocorrer em Junho em São Paulo, próxima a minha casa. E eu me sinto finalmente decidida quando afirmo que não comparecerei.

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30 Respostas to “Reconsiderações Acerca da Slutwalk.”

  1. Marcello maio 16, 2011 às 7:47 pm #

    Imagine se nós, homens, orgulhosamente reivindicássemos a re-apropriação do termo “cafajeste”…
    Ele é, foi e sempre será pejorativo.
    Claro, alguns até gostariam (como gostam), mas aqueles com algo além de um par de neurônios entenderiam que, mais que pejorativo, trata-se de um termo depreciativo – e que não nos exprime.
    Abç.

    • Caroline J. maio 17, 2011 às 12:19 am #

      O pior é que há muitos homens que se auto-intitulam cafajestes, querendo dizer que são “pegadores”, “aah sou cafajeste mesmo!”. Assim se eximem da responsabilidade de serem qualquer coisa melhor que isso =) Mas enquanto é socialmente aceitável um cara ser “cafajeste”, como se se falasse, com um dar de ombros, de algo que não tem jeito mesmo, e inclusive se diz que “as mulheres preferem os cafajestes”, é totalmente imoral e inaceitável uma mulher ser “vagabunda”…

      • Marcello maio 17, 2011 às 5:10 pm #

        Sim, claro, no contexto geral são fenômenos incomparáveis.
        Mas, particularmente, se não me auto-intitulo e não gostaria absoloutamente de ser chamado “cafajeste”, posso entender e cotejar minha aversão ao termo com a reação feminina ao epíteto “vagabunda”. =)

  2. ana rüsche maio 17, 2011 às 2:40 pm #

    falou & disse. adorei o blogue. até mais.

  3. arttemiarktos maio 19, 2011 às 2:53 pm #

    Eu tinha (tenho) sério desconforto com a idéia do slutwalk e seu texto só fez esclarecer isso ainda mais para mim. Eu também não iria se houvesse uma perto de minha casa…

  4. tatiana zaborszky maio 27, 2011 às 11:29 am #

    arttemiarktos
    maio 19, 2011 às 2:53 pm # Eu tinha (tenho) sério desconforto com a idéia do slutwalk e seu texto só fez esclarecer isso ainda mais para mim. Eu também não iria se houvesse uma perto de minha casa…

    somos dois(duas?).

  5. andreia maio 27, 2011 às 11:20 pm #

    Muito bom o texto.

  6. mari biddle maio 28, 2011 às 2:20 pm #

    Eu nao sei de onde que veio essa primeira ideia de que para participar da Marcha e’ obrigatorio trajar roupas minusculas / lingerie. Eu nao sei! So’ sei que isso ta causando equivocos enormes e ta colocando por terra a verdadeira ideia da marcha visa combater – de que um determinado estilo de roupa dara’ o sinal verde ou nao para que o homem cometa estupros. Esse negocio de traduzir a palava slut para o Portugues ajudou e muito para que a Marcha fosse mal comprendida. Marchas da Putas ficariam bem melhor. A gente nao tem de alisar nao, nao tem de escrever bonitinho e arrumar termos menos agressivos – somos todos os dias xingadas de putas e outros trocentos termos sendo no’s profissionais do sexo ou nao. Que custo tem a gente tentar reesignificar a palavra tal qual fizemos com a palavra queer? Isso nao quer dizer que quem vai a marcha ta brincando de ser prostituta por um dia – isso seria cruel com quem vive da prostituicao. Nem podemos tambem pagar de moralistas e vir com a ideia de que para ir a marcha, vestiremos roupas pequenas.

    Eu vou a Marcha aqui na minha cidade vestindo roupas comuns e empurrando um carrinho de bebe caso eu nao consiga ninguem para fazer baby sitter para mim no dia.

    Gente, a marcha da putas, vadias, vagabundas, sluts e’ uma marcha anti estupros. E vamos nos ater a biografia de uma das idealizadoras da marcha – Jaclyn Friedman – ela foi estuprada no dorm do college e nunca prestou queixa pois ela estava em uma festa e ( isso a 20 anos atras) as pessoas a convenceram que ninguem ia levar a historia dela a serio , pois estar bebada e’ como dizer `sim, quero ser estuprada`. Tira-se toda a responsabilidade do estuprador e coloca na vitima. Assim como acontece com quem esta’ numa festa bebendo, acontece com quem esta’ trajando mini saia.

    Minha mae que e’ da area de Direito sempre expressou revolta ao afirmar que quando uma vitima de estupro da queixa, imediatamente o delegado pergunta que roupa ela estava vestindo no momento do ataque. Desde pequena ouco mae contar isso e ainda continua assim. A marcha e’ sobre isso, essa ideia.

    E outra cosita, to tao feliz de muita menina jovem ter aderido a ideia da marcha. Eu sei, a dona do blog sabe o quanto e’ dificil se declarar feminista. O quanto e’ dificil dizer o `palavrao` – sou feminista. E pensem o quanto e’ bom ver mocas sem medo da palavra, indo a marcha, lendo alguma teoria feminista etc. Acho tao valido.

    Um beijo.

  7. Paolla Wanglon maio 28, 2011 às 3:49 pm #

    Eu entendo essa interpretação sobre a SlutWalk, e sinceramente, acho que o uso da palavra ‘slut’ é justificável por fazer referência ao evento com o policial em Toronto. Não vi razão para traduzir, já que ‘vagabunda’, ‘vadia’ ou ‘puta’ não são palavras ligadas a nenhum evento específico. O que fica mal especificado na SlutWalk é que foi um movimento que se levantou sem organização, sem nenhuma centralização. Então temos pessoas diversas andando nessa marcha, homens e mulheres, às vezes com interpretações diferentes do significado do ato. Participei de uma discussão no facebook sobre isso e, desde o primeiro momento em que ouvi falar da SlutWalk, sempre deixei claro que a questão não é reapropriar a palavara ‘slut’. Vejo que a SlutWalk seria uma oportunidade de fazer as pessoas refletirem sobre o uso da palavra: uma palavra que não tem significado além de seu uso opressivo sobre qualquer mulher que não se encaixa num padrão esperado de moça santa e assexuada. Não é necessário usar roupas pequenas para ser chamada de ‘vadia’; é apenas necessário ser mulher. Eu concordo que tal ‘reapropriação’ da palavra seria absurda, e não vejo necessidade de as pessoas envolvidas usarem roupas menores ou provocantes. Se houvesse uma SlutWalk na minha cidade eu compareceria. Só acho que devia haver uma centralização das discussões para que equívocos sobre a intenção do ato não acontecessem.

  8. m. junho 1, 2011 às 5:42 am #

    fico confusa. pq concordo muito com quem apoia. e com quem nao apoia tbem. comolidar? resumindo basicamente o que acho: é bem maneiro esse lance de ir pra rua, protestar, ainda mais com uma coisa que é ainda tão vigente, que é essa crença de que, oh, “quem-usa-roupa-curta-merece-estupro”. parece, e é, mais do que um assunto batido para nós, feministas saídas do armário. mas a marcha pode levar alguém que nunca tinha pensado sobre isso a……pensar sobre isso! mas tem a parte de objetificação e tal. claro que as “gostosas” vão ser fotografadas, etc. claro que as “fora-do-padrão” vão ser sacaneadas, etc. mas ao mesmo tempo, além da marcha em si, do protesto, tem a farra. a diversão. de estar lá, com outras molieres, juntas. e é por isso que fico muito confooosa.

    beijos.

  9. Bárbara junho 4, 2011 às 7:05 am #

    Eu não sei se gosto muito da idéia do Slutwalk, exatamente por causa dessa questão de como ele é recebido na sociedade (por homens achando tudo maravilhoso, e fazendo exatamente o oposto do que o movimento exige, ou seja, que uma mulher não seja tratada como objeto disponível ao sexo só porque está pouco vestida). Porém, me parece injusto considerar que a idéia seja de todo má, ou apenas para dar visibilidade à causa, ou para ser agradável a homens.
    Veja bem: se estamos falando que não faz mal usar roupas curtas, sensuais ou o que for, é no mínimo estranho e incoerente que não as usemos. Essa história de “não tenho problema com roupas curtas, mas eu não uso de jeito nenhum!” me lembra o “não tenho problemas com gays, mas que fiquem longe de mim!”. Ok, algumas podem pensar que não usarão porque não querem objetificar seus corpos. Mas isso não é exatamente o que o patriarcado nos ensina? Que devemos nos esconder e nos cobrir para que apenas nossos maridos (que, no fim das contas, são nossos donos) nos vejam? (Queria ver uma feminista “radical” falar de objetificação quando o assunto é burca.)
    (Pode ser porque não li o suficiente, mas eu nunca entendi bem essa dicotomia objeto/sujeito. Me parece impossível nunca ser, ao mesmo tempo, os dois. Mas talvez eu simplesmente não entenda direito o conceito.)

    Outra coisa que me incomodou no seu texto (e no da Ultimate Slut) é a percepção errada de que a “slut” do nome é a prostituta. Não é a prostituta, profissional do sexo, mas sim a “puta”, mulher que “dá” pra qualquer um. É verdade que esse é um movimento de mulheres privilegiadas, mas isso não tira a relevância da coisa: a mulher mais desprezada na nossa sociedade é aquela que transa com diversos homens, seja por vontade própria ou não. É algo que engloba as prostitutas de verdade, mas não se limita somente a elas.
    Ser uma puta não é ostentar a “marca do opressor”, porque é fazer exatamente o contrário do que lhe é exigido. Também não é sair do sistema patriarcal, porque é uma posição que dele faz parte e que, de fato, o alimenta. Mas é estar na mais inferior das condições reservadas às mulheres.
    E cabe perguntar porquê essa é uma condição inferior. Não por algo que lhe é inerente, mas porque a sociedade diz que é, porque estigmatiza e gera conseqüências às mulheres que são percebidas como tais. (Não preciso nem citar a própria antipatia de outras mulheres, até mesmo feministas, né?)
    É por isso que tomar o termo é, sim, algo efetivo e bom: porque retira a carga negativa. Porque dizer que isso pode ser até uma coisa a se orgulhar significa retirar as mulheres que estão nessa situação dessa posição inferior. Significa tornar a palavra vazia.

    Só pra concluir, eu sempre acho estranho quando o considerado “feminismo radical” defende idéias que um padre defenderia.

    Abraços!

  10. Ághata junho 7, 2011 às 10:16 pm #

    É, como algumas garotas já falaram, eu achei as críticas à Slutwalk meio assim nada a ver porque as meninas nas passeatas não estavam ‘fazendo de conta que são prostitutas’ – elas estavam lá protestando porque um policial disse para elas evitarem se vestirem como Sluts (putas/quengas/rodadas) para prevenir um estupro.

    Algumas se vestiram com pouca roupa porque, né, gente, não é essa a desculpa para serem violentadas…? Nesse caso, eu acho super válido.

    Claro, deve-se sim procurar entender porque muitas prostitutas se sentiram ofendidas com a passeata – se isto não ocorreu devido a uma má comunicação ou equívoco. Mas tem de deixar claro que a intenção não era se passar por prostitutas.

    Gente sem noção nas passeatas, sempre tem, né? Não vamos invalidar tudo por causa disso. Vamos criticar, né.

    Vai ter Slutwalk em Brasília e eu vou – porque temos o mesmo problema no nosso país, das pessoas acharem que você pediru pra ser estuprada porque tava com pouca roupa e para demonstrar solidariedade também às canadenses que tiveram que ouvir a asneira daquele policial.

    E acho que deveríamos comentar que a slutwalk de São Paulo foi muito boa, não devendo receber as mesmas críticas que outras slutwalks mundo afora.

  11. damastor dagobé junho 20, 2011 às 2:36 pm #

    marcha da maconha, marcha das putas, marcha dos gays..que beleza a gente viver num país onde todos os problemas básicos ja foram resolvidos é ou nao é? Quanto tiver uma marcha para protestar contra um tarifa de celular que é 50 (cinquenta) vezes mais cara que na ..India..me avisem por favor.,.

    • krasis junho 20, 2011 às 2:50 pm #

      Como sofre a classe que paga tarifas de celular caras. 😦

    • Bárbara junho 20, 2011 às 5:18 pm #

      Legal é que violência, abuso, estupro, tráfico de drogas, desigualdade, etc. não são problemas básicos e tarifa de celular é.

    • Caroline J. junho 20, 2011 às 5:49 pm #

      HAHAHAHAHA foi piada né

    • krasis junho 20, 2011 às 6:16 pm #

      como disse a Bárbara “Legal é que violência, abuso, estupro, tráfico de drogas, desigualdade, etc. não são problemas básicos e tarifa de celular é.”

      Tu já parou pra pensar nas pessoas que são discriminadas constantemente ao invés de valorizar apenas a conta do seu celular que veio R$ 250 ?
      Tem mulher apanhando constantemente pelo Brasil, homosexuais sendo espancados por colocarem o pé na rua, negros sendo rebaixados moralmente em seu emprego, enquanto a sua necessidade básica do celular estar muito caro, ter que estar acima de qualquer condição humana? A India é lá padrão de referência? sendo um país subdesenvolvido coberto até o pescoço de problemas sociais BÁSICOS (como agua encanada, moradia ou saude) e não apenas pq o celular ou a internet deles é barata. Vá dizer que a China tbm é exemplo de superação social, onde cada criança ganha 10 centavos por cada tênis Nike que produz. Me poupe por favor.
      Abre o olho e olhe a sua volta, seu umbigo não é parâmetro universal de referência.

  12. escalafobetch junho 23, 2011 às 8:22 pm #

    Acho que rola todo um medo sobre o que os homens vão pensar, se eles vão nos julgar ou não, se vão desviar a atenção e etc, discordo totalmente. Não acho que a gente devia afastar corpos e idéias. Os corpos existem, eles significam tanto quanto as palavras e devem ser usados como meio de expressão a questão não é se eles estão adequados ao padrão de beleza ou não ou se eles reforçam estereótipos mas sim a luta pela causa. Se as meninas da marcha usaram estereótipos é pq eles existem, não sei no que ajuda ignorá-los! Se elas não se vestem assim todos os dias é pq há um código que as proíbe de fazer isso, aquele que determina isso é aceitável isso não e se você obedece a esse código para não parecer “desfrutável” e essa é exatamente a discussão da marcha. É possível sim resignificar termos, como acontece com o “queer” e lembremos que quando alguém te xinga de puta, essa pessoa a acusa de gostar de sexo, de não se prender ou se submeter a uma relação monogâmica talvez, ou seja, para nós é ofensivo gostar de sexo? Se seduzimos, se QUEREMOS olhares voltados para nós, isso implica que queremos que um homem nos domine sem o nosso consentimento? Talvez a Marcha não seja uma manifestação feminista, mas o objetivo é lembrar que estando ou não dentro do sistema, estando ou não de acordo com o que o movimento feminista representa os corpos são NOSSOS. Podem expressar e estereotipar o que seja, continuam sendo NOSSOS.

  13. Luciana Bandeira (@Luh__Bandeira) agosto 16, 2011 às 9:42 pm #

    Acho que estão se baseando mais no nome do movimento do que no que ele defende. Estou em Toronto, onde começou o movimento, e lhes digo, não têm nada a ver com objetificação fantasiada de feminismo, quer dizer, talvez para alguns imbecis até tenha, mas garanto que na maioria são mulheres (e homens) defendendo seu direito de ir e vir, vestidas como quiserem, a hora que quiserem e como quiserem sem ter que se preocupar em ser estupradas… Sim, exatamente, nenhuma mulher tem que se preocupar em ser estuprada, em se proteger disto, ou evitar… Essa é a idéia do Slutwalk, tirar a responsabilidade de um estupro da vítima e coloca-la no agressor, no estado e na sociedade.
    O nome vem de uma declaração infeliz de um policial local que disse basicamente: “If you dress like a slut, you can’t complain if someone wants to rape you”, as manifestações são resposta a isso, a idéia de que o crime é provocado pela vítima… Além disso, a grande maioria das manifestantes não se veste de forma provocante, e sim como se vestem todos os dias, carregam cartazes e defendem seus pontos de vista…
    Esta onda anti-slutwalk por parte de feministas no Brasil, que na minha opinião não pensaram muito sobre o assunto, me faz pensar pelo que estamos lutando? São contra porque a mídia retrata de forma abusiva? Ou porque ser slut é ‘ruim’? Sinceramente acho difícil entender, são mulheres lutando por direitos de liberdade, não importa como cada um vai usar sua liberdade, tampouco importa a forma como vc escohe para defende-la, e sim que são interesses em comum e todas queremos a mesma coisa.
    Questione os meios se vc não concorda com eles, mas reconheça o objetivo, e por favor, reflita sobre o que é mais importante! Ou nunca se lutara por nada de forma concisa, pois ninguém parece conseguir traçar metas e objetivos quando o assunto é feminismo “se não pensa exatamente como eu, não me serve como aliado” parece ser o mantra feminista brasileiro e não é um meio efetivo de alcançar mudanças…

  14. yume setembro 28, 2011 às 3:08 am #

    Cara,pelos comentários femininos que li aqui realmente lutar contra a objetificação da mulher no Brasil é impossível.Só faltou defenderem carnaval cheio de mulher pelada e legalização da prostituição! E uma ainda comentou que parecia coisa defendia por padres!
    Olhem o que ganhamos quando defendemos nosso direito de auto-objetificarmos “por uma boa causa”:

    as regras : http://twitter.com/#!/morroida/status/2781954909

    Na boa,é assim que vcs se vêem? e que total falta de consideração com os sentimentos das mulheres prostituídas que se ofenderam!E ainda acham que estupro pode ser combatido afimando que somos todas objetos sexuais?Vcs tem certeza que já leram coisas sérias sobre feminismo?E tem uma que ainda viaja dando um sermão!Só pergunto á ilustre autora do comentário: quem criou o termo slut e para que? Uma pista: não fomos nós mulheres e nem foi para nos elogiar!Quem é que está distorcendo as coisas afinal e ainda quer dar lição de moral?

    O que eu vejo no feminismo brasileiro é a propagação massiva destas idéia pseudo-libertárias de sexualidade feminina,idéias que hoje as européias,canadenses e americasa estão pagando um preço altíssimo: pornificação da cultura,aumento de pedofilia e crimes sexuais,aumento do tráfico de mulheres e meninas.Ao invés de criarmos uma sexualidade nossa,só ficamos trocando de lado: ou somos santas pou somos putas(sluts)

    Foi isso que a autora do texto quis dizer.Não tem nada aver se transa com um ou com mil.è lamentável ver tnato ataque por pura falta de interpretação!

  15. Dayane novembro 23, 2011 às 3:12 am #

    Eu penso o mesmo. Acho que não é vc vestindo a roupa de estereotipo, escrevendo na testa que é um estereotipo e desfilando como um estereotipo que vc irá quebrá-lo. Penso que isso só faz o reforçar.
    Eu concordo plenamente que nem a roupa e nem atitude da mulher é uma desculpa para um estupro ou assédio, de maneira alguma e entendo isso que a marcha quer dizer. Mas vi até garotas com placas “Sou uma vadia”, “Sou puta” e etc, No que isso mudaria o pensamento?Aí depois fico confusa: Fiacmos nervosas e indignadas pq dissram que somos todas vadias, certo? Sempre ouço “Homem só chama mulher de puta, vadia e etc” cm uma GRAVE reclamação, já que els não tem o direito de fazer isso, de forma alguma! Mas ai então, fazemos uma marcha chamada Marcha das vadias, vestidas de forma totalmente provocante, rebolosas com cartazes escritos “Sim, somos vadias”???
    Não estou dizendo que essa foi a atitude de todas as meninas, mas de algumas que vi.
    Sou a favor da marcha contra a violência sexual, contra a vigilância da roupa que usamos, em prol da nossa liberdade. mas realmente, não acho que é reforçando o estereotipo que estamos reivindicando isso!

  16. leilasaads maio 20, 2012 às 2:12 am #

    Olá!
    Acho que existem alguns equívocos nas visões generalizadoras sobre movimentos que, como esse, se espalham pelo globo. Acredito que cada localidade se apropria da Marcha de uma forma, e a transforma a partir de uma organização que pode se diferenciar em muito da de Toronto e das outras mais.
    Participo do coletivo da Marcha das Vadias do DF (formado há um ano, pouco antes da primeira marcha que fizemos aqui). Desde o início do grupo, mesmo tendo mulheres de diferentes histórias e experiências, tivemos a preocupação de fazer uma marcha feminista. Foram muitas discussões, muita construção e reconstrução e, claro, muitos problemas ao longo deste ano. Mas estamos prestes a realizar a segunda edição da Marcha aqui no DF e acredito que tivemos mais ganhos do que perdas.
    Convido você a dar uma olhada no nosso blog para, talvez, ter mais uma visão sobre como a Marcha se construiu em pelo menos uma cidade brasileira.
    Abraços
    http://marchadasvadiasdf.wordpress.com/

  17. leilasaads maio 20, 2012 às 2:14 am #

    Olá!
    Acho que existem alguns equívocos nas visões generalizadoras sobre movimentos que, como esse, se espalham pelo globo. Acredito que cada localidade se apropria da Marcha de uma forma, e a transforma a partir de uma organização que pode se diferenciar em muito da de Toronto.
    Participo do coletivo da Marcha das Vadias do DF (formado há um ano, pouco antes da primeira marcha que fizemos aqui). Desde o início do grupo, mesmo tendo mulheres de diferentes histórias e experiências, tivemos a preocupação de fazer uma marcha feminista. Foram muitas discussões, muita construção e reconstrução e, claro, muitos problemas ao longo deste ano. Mas estamos prestes a realizar a segunda edição da Marcha aqui no DF e acredito que tivemos mais ganhos do que perdas.
    Convido você a dar uma olhada no nosso blog para, talvez, ter mais uma visão sobre como a Marcha se construiu em pelo menos uma cidade brasileira.
    Abraços
    http://marchadasvadiasdf.wordpress.com/

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